Estava eu andando pela rua quando, de repente, avistei ao longe um cão: Pequeno, marrom, meio manso... Andava sozinho como eu. Aproximei-me. Talvez, quem sabe, ele se sentisse da mesma maneira do que eu me sentia. Fui ficando cada vez mais perto, e quando a distância entre nós se resumia a meio metro, o cão se sentou e levantou a pata direita, como se estivesse dizendo “olá”.
Não sei se era um “olá” ou um gesto involuntário, mas de qualquer maneira, sorri em resposta. Em resposta ao meu sorriso – tenho certeza de que dessa vez não foi um ato involuntário – pude ver sua pata esquerda levantando também e, acredito, por dentro ele sorria.
A calçada estava quente, mas isso não me impediu. Sentei. Por que os cães não podem sorrir? Tive vontade de ficar ali, no chão quente, segurando a pata do meu mais novo – talvez o melhor – amigo. Mas, ao contrário disso, entrei em uma pequena livraria que estava à nossa frente.
Comprei um caderno lindo e comecei a anotar sonhos. O primeiro, claro, era fazer os cães sorrirem.
Marina Ribeiro.

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