quinta-feira, 17 de março de 2011

De repente Dona Carolina deixou cair o garfo e soltou um grunido. Todos se precipitaram para ela, abandonando seus lugares à mesa: a filha, o genro, os netos:
                   - Que foi, mamãe?
                   - Dona Carolina, a senhora está sentindo alguma coisa?
                   - Fala conosco vovó?
                   A velha, porém só fazia arranhar a garganta com sons estrangulados, a boca aberta, os olhos revirados para cima. E com muita dificuldade disse:
                   - Me levem ao hospital, estou morrendo sem ar, com uma espinha de peixe na garganta!
                   Então todos se desesperaram e levaram-na ao hospital, todos sem muita esperança que ela iria sobreviver.
                   Quando o médico foi falar com a família todos já rezando e chorando, pensando que o pior tinha acontecido, o médico diz:
                   - Ela não tem absolutamente nada, era puro fingimento.
                   Quando todos voltaram para casa em silêncio e reunidos na sala sua filha perguntou:
                   - Mamãe por que a senhora fez isso, deixou a todos preocupados!
                   - Justamente, por isso minha filha, ninguém se preocuopa comigo, então fingi que estava morrendo, para vê se vocês prestariam mais atenção em mim.
                    E todos ficaram em silêncio refletindo sobre o argumento usado por ela, que realmente foi muito convincente.



     -Mariana Costa 

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